A viagem dos séniores de Paços de Ferreira foi transformada numa procissão à Assembleia da República onde foi criado um andor de homenagem ao Santo Promotor com a generosidade alheia de a pagar com dinheiro da Câmara Municipal – a comissão de festas oficial para a campanha nas eleições que acontecem dia 12 de Outubro.
Esta foi a primeira e seguir-se-ão outras, inclusive no período oficial de campanha que proíbe estas inciativas, nomeadamente entre 30 de setembro de 11 de Outubro,
O uso dos séniores nas campanhas eleitorais, com o argumento de que precisam de ser ajudados na gestão dos seus tempos livres, é, hoje em Portugal, uma banalidade geral. E não se vê nisso mal algum; aliás são sinal de que, finalmemnte, as autarquias perceberam que as opções sociais, especialmente com os mais idosos, são uma necessidade.
A originalidade de Paços de Ferreira
Montar uma operação aérea num valor superior a 800 mil euros, em cima de uma campanha eleitoral, é uma situação “singular” pelo preço e pela oportunidade. E permite que se pergunte da utilidade da coisa quando o elevado preço a pagar seria mais que suficiente para dotar seis freguesias do município com centro de dia que ainda não têm (esta opção está aliás prometida pela Coligação MAIS PSD-CDS).
A oportunidade fica esclarecida quando vemos a foto da visita à Assembleia da República anunciada, em primeira mão, na página pessoal do deputado Humberto Brito e presidente da concelhia do PS em Paços de Ferreira.
Uma análise mais cuidada da foto do evento permite-nos dizer que se trata de uma manobra puramente eleitoral por ter impedido que outra deputada de Paços de Ferreira tivesse participado na receção dos séniores no Parlamento; isto, ao mesmo tempo que na mesma foto do andor aparece outro deputado mas do PS e do concelho de Paredes.
Estes atos “democráticos”, por convite e exclusão, não admiram ninguém conhecedor do ambiente político em Paços de Ferreira. Coisa aliás conhecida pelo senhor deputado de Paredes que não conseguiu evitar a nódoa que lhe foi colada ao aderir a esta manobra de propaganda.
A ilegalidade da ambição desmedida
Também estamos habituados ao desrespeito pelo lei, aqui na Capital do Móvel. É o que vai acontecer nas três viagens precisamente no período oficial da campanha. Três visitas a Lisboa, cumprimentar o deputado (e presidente da concelhia do PS em Paços de Ferreira), pagas pela Câmara Municipal presidida pelo PS.
Esta originalidade, aqui sim, única e provavelmente irrepetível, assemelha-se à que foi lançada na ultima semana da campanha eleitoral para as legislativas a 18 de Maio quando o então candidato a deputado anunciou “saúde para todos” num protocolo assinado entre a Câmara e a Clínica Radelfe.
A esperada “bomba atómica” eleitoral do candidato transformou-se antes numa pequena granada que lhe estoirou nas mãos, atribuindo-lhe, um honroso terceiro lugar!
Com estas considerações verifica-se que estamos perante o uso abusivo de dinheiros públicos para proveito político imediato nas eleições de 12 de Outubro. É um abuso? Claro que sim. Mas quem é que está admirado com isso?
Por Arnaldo Meireles





