O Partido Socialista de Paços de Ferreira transformou-se, nos últimos anos, num projeto político marcado pelo populismo e pela concentração de poder. O PS local divide-se hoje entre um pequeno núcleo de militantes conformados por medo e um grupo mais alargado movido sobretudo por interesses pessoais, onde a fidelidade ao poder se sobrepõe aos valores democráticos.
Esta lógica levou ao afastamento de muitos que defenderam a liberdade de pensamento e recusaram práticas de liderança autoritárias e caciquistas.
Paradoxalmente, foram estes os acusados de “quererem tachos”, quando os factos demonstram exatamente o contrário. Instalou-se, assim, um clima de intimidação e receio da opinião livre, com relatos de pressões, perseguições administrativas e condicionamento do acesso à comunicação social local.
O executivo camarário construiu uma máquina de propaganda baseada em anúncios mediáticos e medidas de curto prazo, escondendo o incumprimento de promessas estruturais.
Em várias freguesias, sobretudo nas que não partilham a cor política do executivo, o abandono é visível.
Freamunde é um exemplo paradigmático desta governação. A anunciada construção do novo posto da GNR revelou-se um embuste, enquanto a chamada “Casa das Artes” não passa de um projeto sem viabilidade funcional, usado como instrumento de ilusão política.
Outras promessas, como as piscinas ao ar livre ou a requalificação digna da Junta de Freguesia, permanecem eternamente adiadas.
No plano concelhio, a política sociocultural assume um caráter marcadamente eleitoralista. Iniciativas como passeios seniores dispendiosos ou festivais baseados quase exclusivamente em concertos representam gastos avultados, sem impacto estrutural, quando poderiam ser canalizados para bolsas de estudo, apoio aos jovens ou projetos sociais continuados e estruturais.
A recente criação de um atendimento permanente de saúde surgiu também como uma medida temporária e financeiramente insustentável, típica de períodos pré-eleitorais.
Tal como aconteceu com a gestão da água no concelho, anunciam-se soluções que acabam por agravar problemas e transferir custos para os munícipes.
Persistem ainda falhanços graves em áreas como a mobilidade, a habitação acessível
e o ambiente, com destaque para a situação da ETAR de Arreigada, um investimento
milionário que obriga agora a um investimento multimilionário, provavelmente
inflacionado.
Perante este cenário, importa recordar que o medo não é a única força contagiosa na política. A coragem cívica e a exigência democrática continuam a ser essenciais para
contrariar o populismo e a ilusão governativa.
Mantenhamo-nos unidos pelo Concelho de Paços de Ferreira.
Por Unidos pelo Município de Paços de Ferreira





