O Orçamento da Câmara Municipal foi aprovado confirmando-se a tendência de sempre: O PSD vota contra e o PS vota a favor. Do histórico sai a pergunta – mas porque nada muda se a realidade não é a mesma?
Independentemente das razões invocadas pelas partes, consideradas enquanto tais, considerando a animosidade histórica que não se entende, admitindo que o conflito institucional exista sem razões evidentes para isso, fica mais uma vez claro o “diálogo” de surdos só cumprido por eficácia regulamentar: é preciso que a Assembleia Municipal “funcione”.
O partido vencedor das eleições apresentou o Orçamento para governar em 2026. O PSD tem maioria na Assembleia Municipal e tinha (teria) a possibilidade de decidir o destino das contas e investimentos deste ano.
Mas desperdiçou a oportunidade de participar na decisão e de reforçar o papel e importância política dos seus eleitos presidentes de Junta que somados aos “deputados” também presentes poderiam definir o rumo da coisa ou, pelo menos, obrigar de fato o Executivo a considerar as decisões futuras, sobretudo no que dizia respeito às freguesias individualmente consideradas.
A imutabilidade do PSD no voto contra impediu os seus representantes de apreciarem as vantagens que teria o voto pelo abstenção: permitia explicar as razões insuficientes para garantir o voto a favor, mas dava uma carta de conforto aos seus presidentes de Junta que pela abstenção do PSD conseguiam o normal funcionamento das instituições não prejudicando a execução orçamental do Executivo e das Juntas de Freguesia.
E, com a abstenção, a situação era exatamente a mesma: a constas estavam aprovadas, como de fato estão.
A nova realidade social e política
O concelho de Paços de Ferreira está a evoluir a uma velocidade furiosa e isso é visível na nossa economia, o espelho que interssa para avaliarmos a evolução sociológica com implicações políticas.
E maior evolução teria se de fato as promessas do PS nas eleições de 2021 tivessem sido cumpridas, nomeadamente “adesão á Área Metropolitana do Porto” e abertura da linha de comboio até Valongo.
A economia trata de definir as novas tendências e bastará que a classe política não “estrague muito” e deixe as pessoas e empresas trabalhar, investir e progredir. Do esforço (difuso) de todos aparece a soma que mostra a evolução da nossa terra.
Para esta nova realidade social e politica precisa o Município de novas lideranças, mesmo que seja com as mesmas pessoas ou quase. Mas é uma oportunidade política para todos aproveitar o exílio em Lisboa do ex-edil que agora nos permite no discurso público alguma serenidade (a possível) e eventual construção de novo patamar político.
Este desiderato é um desafio que se traduz no seguinte: ter uma classe política com a qualidade e empenhamento semelhante à classe dos nossos trabalhadores e empresários.
A decisão do PSD em votar contra o Orçamento da Câmara é ainda resquício de uma história que devia ter terminado. Acreditemos no amanhã, por um concelho mais evoluído e um município mais livre e comprometido na democracia e liberdade real de cada um e de todos nós.
Por Arnaldo Meireles
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