A foto de abertura desta crónica chama-se “A Visão de Tondalus” (1491-1525) na força da Idade Média e refere-se a uma lenda medieval popular sobre um cavaleiro irlandês cuja alma viaja através do inferno e do paraíso com um guia anjo, levando à sua transformação espiritual. Pode ser vista esta obra no Museu Lazaro Galdiano Madrid. Isto para quem desconfia aqui das informações da Mosca.
As narrativas deste anjo eram bem intencionadas tinham uma função pedagógica clara: mostrar aos cristãos as consequências morais das suas ações e orientar a conduta terrena para a salvação.
Neste propósito guiou milhões de almas para o lado certo, certamente eficaz colocando-as ou garantindo-lhes um lugar à direita do Pai.
Ora na viagem este nosso cavaleiro trata de tudo, embora não conste que tenha montado uma empresa de serviços logo que assumiu a ligação ao céu. E fazia isto:
- No Inferno, Tondalus testemunha tormentos detalhados e participa de alguns sofrimentos, como forma de purificação.
- No Purgatório, observa almas em processo de expiação.
- No Paraíso, contempla a glória divina e a harmonia celestial.
Na posse destes dados e dotado de imensa sabedoria, o nosso cavaleiro regressa ao corpo, profundamente transformado, converte-se e passa a viver de forma virtuosa. Isto é cumprindo a lei da República.
Aqui chegado, viu-se na disponibilidade de despachar opiniões, transformá-las em juízos, e vai daí elaborou missivas à autoridade legítima, evidentemente dotado da capacidade de ajudar os ímpios na transformação espiritual.
Ora, coisas da vida e surpresa do demo, é que o nosso cavaleiro, despachando o juízo, foi notificado que melhor que contribuir para a justeza das almas (outras) melhor seria visitar a sua memória, onde, pelos vistos – e agora se sabe de verdade verdadeira – que as expressões de aproximação íntima lhe não garantem a transformação espiritual esperada antes aponta para o regresso aos calores do inferno.
A Mosca – Por aqui andarei enquanto a liberdade da República me permitir






