Confederações empresariais confirmam que negociação na Concertação Social termina sem acordo, acusando a UGT de intransigência. Central sindical atira que, nos pontos mais graves, não houve avanços – in ECO
Patrões e trabalhadores não chegaram a acordo nas negociações realizadas em sede de “concertação social” – um aforismo que nos pretende explicar da suficiente vontade de aproximação entre as partes.
Por vezes uma acerto nas remunerações é suficiente mas por agora o cenário apresentou a esperança nascida pela maioria parlamentar atual que apontava para a mudança de paradigma, na corrida liberal interna fomentada pelo “entusiasmo” trumpista que desenha horizontes favoráveis ao poder instalado e aponta o medo do inferno de quem depende da remuneração que se quer justa.
A rutura nasceu aqui : enquanto os patrões entendem que tudo é economia, por isso falam de negociações, os trabalhadores explicam que a economia não é neutra! o que coloca uma série de problemas essenciais, quando se trata de legislar a relação laboral.
É provável que a questão permaneça em aberto não por ser nova mas precisamente por ser velha! pois desde a antiguidade que se discute o que é o salário justo como remuneração de quem trabalha ao abrigo do direito e dever que tem de trabalhar para seu sustento e dos seus.
E também é certo que se apoia o entusiasmo de quem dedica o seu valor, tempo e dinheiro no âmbito da sua iniciativa privada na procura do lucro essencial ao progresso da sua aposta.
E se nos ensinam que a “mão invisível” tudo domina e provoca – princípio geral do funcionamento da coisa – no âmbito da procura e oferta, é preciso afirmar que a sua liberdade de ação provoca riqueza que faz crescer mas também pobreza naqueles que exclui.
As negociações entre patrões e trabalhadores precisam de ter isto em conta, sendo fundamental que todos conheçam a dinâmica da construção empresarial – política económica, política financeira – a melhoria das condições de vida da população (que na sua maioria vive do trabalho dependente), atenta aos fenómenos de desconstrução que se manifestam nos novos tipos de pobreza, sobretudo nos círculos vermelhos (1) à volta das grandes cidades.
A Economia Não é Neutra
- Define quem ganha e quem perde. Políticas fiscais, juros, subsídios, impostos — tudo isso beneficia alguns grupos e prejudica outros.
- Reflete visões de mundo. Um governo que prioriza austeridade fala sobre o papel do Estado. Um que investe em bem‑estar social também está.
- É moldada por interesses. Empresas, sindicatos, bancos, movimentos sociais — todos pressionam para que as regras do jogo favoreçam os seus objetivos.
- Impacta vidas reais. Não é só PIB. É emprego, moradia, saúde, educação, dignidade.
Parabéns à UGT por ter bloqueado este processo. Que se faça caminho ao andar numa sociedade inclusiva e agregadora entre quem trabalha, seja patrão ou empregado, na busca do salário justo.
Por Arnaldo Meireles





