Num tema religioso inerentemente coral e geralmente interpretado com os personagens retratados de corpo inteiro, Tiarini opta por aproximar os protagonistas do observador, proporcionando, numa composição piramidal segura, uma visão monumental das figuras e focando as suas expressões.
No topo, a figura de Jesus, autor do milagre da ressurreição, parece já projetada para os eventos futuros; Lázaro, com sua a palidez gradualmente ganhando cor, aponta para si mesmo em espanto; enquanto as irmãs Marta e Maria de Betânia alternam entre abandono emocional e gratidão.
O personagem tradicional que tapa o nariz por causa do mau cheiro é equilibrado diagonalmente por Pedro, que liberta Lázaro das últimas ataduras.
Após seu retorno a Bolonha, Alessandro Tiarini, renomado pintor barroco nascido em 1577, aproximou-se da escola de Carracci, que introduzia um novo estilo naturalista no cenário artístico italiano da época.
Em particular, Tiarini demonstrou forte afinidade com o estilo de Ludovico Carracci, absorvendo as suas abordagens pictóricas inovadoras. O contato com os centros artísticos de Parma, Veneza e Ferrara contribuiu ainda mais para a sua linguagem pictórica, inspirando-se especialmente em Correggio, cuja influência é evidente no clareamento progressivo de sua paleta e na monumentalidade de suas figuras, que adquirem maior naturalismo e dinamismo.
Foto: Alessandro Tiarini, Ressurreição de Lázaro, século XVII, óleo sobre cobre[?], 39×49 cm, Museu de Belas Artes de Ecaterimburgo.
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