Uma Crucificação abre as Pequenas Horas da Cruz, um dos principais ofícios do Livro de Horas. O iluminador pintou o momento dramático da estocada da lança e o conto fabuloso propagado pela Legenda Áurea.
À esquerda, o cego Longino, que desfere o golpe, será curado de sua cegueira por uma gota de sangue que brota do corpo do homem crucificado; Do outro lado está o centurião, convertido após a morte de Cristo, cuja profissão de fé (Vere Filius Dei erat iste) está inscrita em um estandarte que ele segura na mão direita.
De cada lado de Cristo crucificado, os dois ladrões — o bom e o mau — estão presos a cruzes tau, com os braços passados para trás das barras. Estão vendados, com as pernas quebradas acima dos joelhos, e acabaram de dar o último suspiro: a alma do bom ladrão, à esquerda, está sendo recebida por um anjo, enquanto a alma do mau ladrão, arrancada dele por um demônio vermelho, está sendo extraída da cena central para ser enviada à margem, em direção ao inferno.
O Livro de Horas de Bruxelas distingue-se pela rica iconografia de suas margens, povoadas por animais — cegonhas, lebres, javalis — e figuras envolvidas em diversas formas de entretenimento: falcoeiros, malabaristas e acrobatas, tocadores de trompete e gaita de foles, entre os quais numerosas figuras meio humanas, meio animais, percorrem a vegetação exuberante.






