30 DE MARÇO DE 2023 – O DIA AZIAGO EM QUE DEI TRÊS TIROS NO PÉ DIREITO COM BREVES MAS INOPORTUNOS COMENTÁRIOS SOBRE MÁRIO SOARES, JOSÉ SÓCRATES E HENRIQUE MONTEIRO, GENTE QUE NÃO SE DEVE CONTRADIZER…
1º TIRO – O ELOGIO DITIRÂMBICO DE SOARES A SÓCRATES
Escreveu André Figueiredo, meu camarada de partido:
«Também o Fundador do PS, MÁRIO SOARES, um exemplo na defesa do legado socialista, um reconhecido Homem de acção e de carácter, que nunca renunciou aos princípios de solidariedade e camaradagem, diz ao Jornal Expresso: ‘O regresso de Sócrates foi brilhante’».
Escrevo eu, Alfredo Barroso, também membro fundador do PS, embora sem importância:
«Sim senhor, que bom o elogio ditirâmbico de Mário Soares a José Sócrates no Expresso! Mas, então, é capaz de não ser verdadeira aquela história segundo a qual Soares terá tido uma conversa muito dura com Sócrates para o «obrigar» a pedir ajuda externa – à troika, claro! – em 2011?!… Eh pá, esqueçam, esqueçam, peço desculpa, lembrei-me agora que quem divulgou publicamente essa conversa foi o próprio Mário Soares, que nessa altura estava convencido de que Passos Coelho era um «político sério e bem intencionado» e que a troika não era nenhum «papão». Aliás, parece que até almoçou, ou jantou, com Passos Coelho. As voltas que o mundo dá… E, pronto, acho que já fiz «merda»… Mas eu sou mesmo assim: ando sempre a meter a pata na poça. E só me calo quando bater a bota… Sou como dizia um grande poeta americano, em italiano: «Io tutto quello que tocco, guasto. Io ho sbagliato sempre…». – Alfredo Barroso (30/Março/2013)
2º TIRO – HENRIQUE MONTEIRO, MAIS UM “CRISTÃO-NOVO” QUE CULTIVA O EXCESSO DE ZELO
Henrique Monteiro, que se passou com armas e bagagens da UDP para a direita enquanto o diabo esfrega um olho – e conseguiu chegar a director do semanário Expresso – é hoje um «opinion maker» que cultiva o excesso de zelo, como todos os cristãos-novos da política. Foi uma daquelas criaturas que, acompanhada por um exército de jornalistas (ou oportunistas?) oriundos da extrema-esquerda (como José António Saraiva, José Manuel Fernandes, Teresa de Sousa, o insignificante ‘guru’ João Carlos Espada, que chegou a andar de pistola à cinta nos tempos da UDP, e outros que tais) fizeram coro, por exemplo, com os «neoconservadores» norte-americanos conselheiros de Bush filho, e com o não menos oportunista Tony Blair e a malfadada «terceira via», no apoio à invasão e ocupação do Iraque – alinhando, aliás, com o então PM português, Durão Barroso, e o seu ministro da Defesa, Paulo Portas, que diziam que Donald Rumsfeld (secretário da Defesa dos EUA) lhes tinha mostrado provas irrefutáveis da existência de AMD’s (Armas de Destruição Massiva) em camionetas e cavernas de Saddam Hussein. Tiveram um comportamento vergonhoso, mas, ao contrário de Bush filho, Tony Blair e José Maria Aznar, não se afastaram nem foram removidos do poder que detêm nos jornais em que escrevem. Ninguém melhor do que estes «vira-casacas» para servir os interesses dos patrões para quem trabalham, à imagem e semelhança do ex-MRPP Durão Barroso, cujo inocuidade, incompetência e servilismo (em relação a Angela Merkel) já são proverbiais nesta União Europeia a desmoronar-se… – Alfredo Barroso (30/Março/2013)
3º TIRO – MISÉRIA DE UM CERTO JORNALISMO
O artigo pretensioso e oportunista escrito por um ex-director do Expresso, Henrique Monteiro, sobre «Sócrates e a miséria da Filosofia», é mais um exemplo do ódio e rancor que alguns jornalistas poderosos, ao serviço da plutocracia e dos poderes do dia, continuam a alimentar em relação a um político, José Sócrates, contra o qual fizeram campanha brutal, mas que, afinal, não conseguiram aniquilar. O regresso de Sócrates à intervenção política, através da excelente entrevista que concedeu à RTP-1, deixou-os possessos (e porventura a alguns dos seus patrões) porque não admitem que o ex-primeiro-ministro seja a maior ressurreição da história depois da de Lázaro. Para eles, Sócrates devia estar morto e bem enterrado sem se atrever sequer a usar da palavra. Estão, por isso, a multiplicar-se em lamentáveis tentativas para desacreditar o ex-primeiro-ministro, para gáudio de políticos tão deprimentes, insensíveis, incompetentes e cruéis como os que estão no poder. Deus lhes pague… – Alfredo Barroso (30/Março/2013)
Campo d’Ourique, 16 de Setembro de 2026






